Já ouviu falar em índice glicêmico?

O que toda pessoa que é diagnosticada com diabetes deve fazer, é ir atrás de informações, livros e artigos que possam ajudá-la a entender a doença e como controlá-la. Por isso, quando fui diagnosticada, quis entender tudo de alimentação e de diabetes, e foi quando conheci o amigo carboidrato e a famosa "contagem de carboidratos". A contagem de carboidratos, nada mais é que um sistema desenvolvido na Europa, no ano de 1935, para que o diabético tenha um maior controle glicêmico; nesse sistema, o indivíduo vai somando todos os carboidratos que ingere em uma refeição e aplica uma quantidade x de insulina, prevendo quanto sua glicemia aumentaria com aquele alimento.

Porém, logo na primeira consulta, minha endócrino já se mostrou contra a contagem de carboidratos sem o acompanhamento da medição de glicose; por isso, resolvi estudar a fundo o temido carboidrato, eu precisava entender essa posição dela de ser contra, e aí descobri esse tal de índice glicêmico dos alimentos. Estou falando grego? Deixa eu descomplicar pra você...

Antes de mais nada, você sabe que carboidratos são a mesma coisa que açúcar para nosso corpo, sim?

Só para lembrar daquela aulinha de ciências da 6ª série :)

Vamos entender o que é indíce glicêmico?

“Existem vários tipos de carboidratos (ou açúcares) que fazem parte dos alimentos que comemos. Cada um destes tipos aumenta a nossa glicemia de maneira diferente. A escala do índice glicêmico ajuda a manter controle sobre isto. Ela varia de 0 a 100. Quanto mais alto o índice glicêmico de um carboidrato, mais rapidamente ele é absorvido pelo corpo e mais rapidamente aumenta a glicemia. De maneira análoga, quanto menor o valor, a digestão do carboidrato é mais lenta, o que gera um aumento leve e gradual nas quantidades de açúcar e insulina no sangue.”

Entendeu? Na prática é bem simples, comer a mesma quantidade de batata doce e de arroz branco afeta nossa glicemia de formas diferentes, isso acontece porque o índice glicêmico da batata doce é menor que o índice do arroz branco. E isso ocorre por influência de vários fatores como:

– Natureza e quantidade do tipo de carboidrato do alimento;

– Presença de fibras no alimento;

– Forma do preparo do alimento;

– Tamanho das partículas do carboidrato;

– Presença de outras substâncias como proteínas e gorduras.

Então, quando alguém diz que colocou chia, linhaça, ou qualquer outro tipo de fibra na sua receita para baixar o índice glicêmico dela, essa pessoa está acrescentando ingredientes para influenciar na absorção de carboidratos pelo organismo. Ou seja, eu posso comer arroz branco ao invés de batata doce, porém, eu preciso incluir uma fibra no meu prato para dificultar a absorção desse carboidrato de maior índice glicêmico.

E aí estava o medo da minha endócrino, porque quem faz a contagem de carboidratos, tem que saber que não se pode aplicar a mesma quantidade de insulina para todos os carboidratos ingeridos, eu sei que se comer batata vou precisar aplicar menos unidades de insulina que se for comer arroz integral, que contém fibras que prolongam a absorção desses carboidratos; na realidade, minha médica não queria que eu confiasse somente na contagem para dosar a insulina e corresse o risco de ter uma hipoglicemia muito severa.

Aprendi na prática essa diferença entre os tipos de carboidratos que comia, pois durante seis meses, segui uma dieta severa, na qual eu anotava tudo que comia e as glicemias antes e depois das refeições; mas não sabia porquê isso acontecia, daí a importância desse índice, ele serve para que a gente saiba qual o melhor tipo de carboidrato para incluir na nossa alimentação.

Entendi o índice glicêmico, mas o que isso afeta na saúde das pessoas?

O pico de glicemia não é ruim somente para diabéticos, pois esse pico de glicose no sangue, provoca o a​​cúmulo de gordura no corpo. E não adianta você comer pouco carboidrato e nada de gorduras e proteínas, esse hábito não vai ajudar a sua glicose a se manter estável e nem a perder peso, isso acontece porque a proteína e a gordura tem influência no índice glicêmico, elas também são importante para essa absorção de glicose e nutrientes.

Vale lembrar que a gordura ajuda a diminuir o índice do alimento, mas não adianta se encher de batata frita argumentando que é melhor que comê-la assada por causa do índice glicêmico, aí está a armadilha chamada caloria.

Resumão: todos podemos comer carboidratos, e diabéticos podem fazer uma contagem deles para dosar sua insulina, contudo, precisamos equilibrar nossas refeições, com muitas fibras e proteínas. E queridos diabéticos, nunca confiem 100% na sua contagem, não deixem de medir sua glicemia pós-prandial, porque a cada dia nosso organismo é influenciado por diferentes fatores, como horas de sono, estresse, hormônios (TPM), exercícios...

E o mais importante, não deixe de procurar um profissional de nutrição, só ele vai saber dizer o que é melhor pra você, não vai simplesmente cortar carboidratos e depois passar mal fazendo um exercício.

Equilíbrio é tudo na vida!

Fontes:

http://www.maisequilibrio.com.br/saude/indice-glicemico-3595.html

http://www.diabeticool.com/comidas-com-alto-indice-glicemico-favorecem-o-diabetes/

http://www.dietaesaude.com.br/dietas/26-dieta-do-%C3%ADndice-glic%C3%AAmico

http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/nutricao/guia/indice-glicemico-faca-alimentacao-correta-para-se-sair-bem-nos-treinos.html

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/the-international-new-york-times/2014/12/22/estudo-questiona-indice-glicemico-e-a-ideia-de-carboidratos-bons-e-ruins.htm

http://www.cdof.com.br/nutri8.htm

http://www.sonutricao.com.br/downloads/carboidratos.pdf

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