Como assim eu estou gorda? Só pode ser a insulina!

Talvez esse seja o tema mais delicado para mim de escrever: meu PESO.

Sou uma leonina muuuuito vaidosa e no momento, bastante complexada com meu peso, mas vejo que muitos diabéticos tipo 1 passam por esse mesmo problema: desde que começou o tratamento com insulina, não parou de engordar. Então, resolvi fazer um post contando sobre esse meu drama, de ter engordado 10kg desde o começo do tratamento, e de o que estou fazendo para reverter essa situação. Será que é a insulina mesmo que engorda como todos falam?

Esse post é para mostrar que nem sempre a gente está fazendo a coisa certa, e que por isso existem profissionais especializados, para que eles possam nos ajudar. Agora, vejo a importância de uma nutri na vida da pessoa, mesmo daquela que nem tem uma doença.

Vamos lá então...

Antes do diagnóstico

Eu sempre fui magricela, até os meus 14 anos de idade era um fiapo, tomei muito Biotônico Fontoura e vitaminas da Turma da Mônica para ver se comia mais e engordava na infância. Quando adolescente, desenvolvi o corpo de mulher devido aos hormônios, mas continuei magrinha. Era daquelas que comia um pacote de bolhacha recheada por dia, lanchava um pastel frito na tarde, e jantava uma Miojo pelo menos uma vez por semana (claro que eu comia frutas e salada, mas vivia de porcarias nos lanches). Se notasse que tinha engordado um pouco, parava de comer besteiras e tomar refrigerante e em uma semana já estava pesando menos.

Até eu ser diagnosticada com diabetes, pesava no máximo 56kg no auge da gordice do inverno, mas oscilava sempre entre 52 e 54kg (tenho 161cm). Ao receber meu diagnóstico, eu estava pesando 49kg, mas não era uma magreza bonita, estava com olheiras profundas e via que tinha muita gordura no corpo (vide foto tirada no dia do meu exame de sangue do diagnóstico – detalhe para a torta em plena tarde).

Depois de quase 3 anos de diagnóstico meu peso estava em 66,7kg e não falo isso orgulhosamente, pelo contrário, não me sentia bem comigo mesma e por mais que eu tivesse uma alimentação regrada, não conseguia emagrecer; claro que existe o fator idade, não sou mais uma adolescente, meu metabolismo já não é mais o mesmo de 10 anos atrás; mas contava caloria de tudo que comia, fazia meus exercícios diários e só via aquele número aumentando na balança. Por isso, resolvi buscar ajuda de uma profissional, pesquisei muito para saber quem seria a melhor pessoa para acompanhar meu caso e achei a Bárbara, formada em nutrição e especializada na área de diabetes; ela é nova, mais nova que eu até, contudo eu realmente acho que essa nova geração de nutris é muito competente, tem uma visão super inovadora, porque muita coisa mudou e surgiram muitos estudos sobre alimentação nesses últimos anos, assim como sobre diabetes. A área da saúde evolui o tempo todo, antes, um diabético era praticamente condenado à morte, hoje, se tem muito maior conhecimento sobre como ter uma vida boa e longa.

Minha primeira consulta com a nutri foi em junho, cheguei na consulta, preenchi uma ficha gigante, com todos meus hábitos e respondi várias outras questões, daí fui fazer a temida pesagem: primeira coisa quando subi na balança foi a dor de ouvir "Você está com sobrepeso" – sabe aquela vontadezinha de chorar? Nunca ouvi isso na vida, nunca precisei me preocupar com isso! –, então veio a parte boa "Mas isso é fácil de corrigir, perdendo 2kg já não é mais considerado sobrepeso, e isso tu consegue em três semanas."

Depois de muita conversa, explicações, esclarecimentos, eu fui para casa com a tarefa de enviar para ela, um relatório com todas minhas medições de glicemias e tudo que eu comia.

Em uma semana, ela me enviou uma dieta com os carboidratos e calorias que eu precisava para cada refeição, tudo baseado no meu estilo de vida (horas de sono, horários das refeições, tipo de exercício praticados por dia) e conversou comigo para eu entender o que eu fazia errado – sou uma leiga no assunto, procuro ler muito sobre alimentação, então se eu falar alguma asneira, não é por mal –, e ela me mostrou que eu simplesmente não comia proteínas o suficiente para a quantidade de exercícios que eu fazia. As consequências? Ao invés de criar a massa magra eu criava gordura, pois quando comia, eu tinha um pico de glicose muito grande, e os estudos já comprovam que isso causa o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal.

Outro erro meu era não comer gorduras. Achava que não comendo gordura, não engordaria, correto? Não, não comer gordura aumenta mais ainda a glicemia, a gordura, a fibra e a proteína aumentam a curva glicêmica dos alimentos – gordura boa viu gente?

Mas o que diabos significa aumentar a curva glicêmica? Significa que a glicose fica mais alta por mais tempo, mas ela não tem um pico grande. Na prática é assim, eu almoçava e minha glicose ia parar em 240mg/dL, hoje comendo a mesma quantidade de carboidratos mas acrescentando proteínas, gordura e fibra, minha glicose fica em torno de 150mg/dL.

Como ela ficava alta, eu aplicava insulina e logo vinha a hipoglicemia, porque com a insulina, esse número baixava muito rápido. Então estava sempre numa montanha-russa, eram altos e baixos o dia inteiro.

Durante o mês de julho eu segui a dieta todos os dias, não fiz nenhuma refeição livre o mês inteiro. Os primeiros resultados foram gritantes, tive que diminuir 6u de Lantus e fazer apenas 1u de Humalog por dia. Como estava perdendo gordura, estava ficando mais sensível à insulina, o que estava acarretando em hipoglicemias noturnas. Depois de adaptar as doses, minhas glicemias começaram a ficar super controladas e o resultado na balança foram -2kg em 1 mês.

Ganhei estrelinhas da nutri pelo empenho e saí da zona do sobrepeso :)

Daí veio o meu aniversário e o mês de agosto, em que todo fim de semana uma amiga minha fazia festa para comemorar o seu aniversário (como podem ver, tenho um ciclo de amigas de Leão). Já fui avisando a nutri: olha, esse mês vai ser difícil controlar, mas vou dar meu máximo.

Resultado? Na balança continuou igual, só baixou 0,5kg, cheguei aos 64kg; mas de gordura e medidas foi uma super evolução. Consegui perder 8cm de abdômen e 6cm de quadril. Minhas calças começaram a ficar folgadas.

E aí veio o exame de Hemoglobina Glicada (já falei sobre ele aqui). Sério, nunca fiquei tão feliz em pegar um resultado de exame. Fazia um ano que minha Glicada não era menor que 7% (o limite ideal), e em menos de dois meses ela saiu dos 7,5% e foi para os 6,5%.

Palminhas e comemorações!

Agora, estou pesando os mesmos 64kg, mas vejo que cada vez mais estou com menos gordura no corpo; e não fico frustada porque percebo que meus músculos estão se desenvolvendo. Estou substituindo a coisa ruim pela boa, massa gorda por massa magra. Isso acontece porque a insulina é um anabolisante, ela ajuda as proteínas a se fixarem nos músculos (pelo amor de Deus, não use insulina se não for diabético e prescrito pelo médico, vocês não sabem o mal que isso pode causar ao corpo).

Então não, a insulina não engorda. O que engorda são nossos picos de glicose, e isso causa o acúmulo de gordura; vai ver é por isso que 70% dos diabéticos morrem de ataques cardíacos e AVC's. E diabetes não emagrece também, se você está emagrecendo muito, suas glicemias devem estar descontroladas!

E Dani, é difícil seguir a dieta? Claro que é, essa semana, por exemplo, estou super ansiosa e tenho vontade de comer as paredes de noite, confesso que às vezes saio da linha, entretanto, no outro dia vou lá para a academia e dou o meu máximo, para gastar tudo que comi a mais.

Não é da dieta que eu canso, tenho plena consciência de que é ansiedade e não fome.

Minha dieta é super variada, e minha nutri me passou muitas opções para substituir nas refeições e não comer o velho "frango com batata doce".

Hoje, passei o sábado de manhã participando de uma Oficina Zero Açúcar (e zero adoçante) com ela e mais um grupo de mulheres. Aprendi mais receitas gostosas e saudáveis e que consigo incluir no meu plano alimentar sem me preocupar. Teve barrinha de frutas, bolo de fibras, torta de sardinha, nhoque de ricota; e cada vez me surpreendo mais com a culinária saudável, porque vejo em números como faz bem para minha glicose e saúde; sem contar que é uma delícia preparar seu próprio alimento! Confere aí algumas fotos do que rolou hoje na Oficina.

Eu acredito que o importante mesmo é achar o equilíbrio entre aquilo que te faz feliz e o que faz bem para a sua saúde. O que me faz feliz é estar bem comigo mesma, é olhar para minha barriga e não ver aquele "ovo" nela, eu ainda tenho uma meta para alcançar; eu sei que tenho que ter paciência, mas vou conseguir chegar aos sonhados 57kg, só que dessa vez, 57kg com muita massa magra, porque também não adianta pesar pouco e ter pura gordura no corpo. Otimista sempre né?

E agora quando me perguntam se acho importante ter um acompanhamento nutricional eu respondo: é essencial!

O tratamento de diabetes é um trabalho em equipe feito pelo paciente, o médico, o nutricionista e o educador físico.

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