A fórmula mágica


A fórmula mágica

Estou há duas semanas pensando em escrever esse post, mas realmente foram semanas bem corridas tanto no meu escritório quanto com meus queridos diabigos que acompanho diariamente. Ontem fizemos um encontro online cujo tema foi alimentação, demos início às 19:30 e só fui desligar meu computador às 23:30 (ô povo que gosta de um assunto). Ainda, depois de muitos insistirem, dediquei essa última semana a atualizar meu Blog criando uma "lojinha" virtual para expôr as camisetas que vendo. Não viu ainda? Clica aqui!

Enfim, vamos ao post do dia...

No dia 21 de janeiro, eu marquei de encontrar uma amiga minha que conheci em 2007 no cursinho pré-vestibular para darmos uma caminhada e colocarmos a conversa em dia. Acho que eu não via ela desde 2010, pois cada uma entrou em um curso na faculdade e quando me dei por conta, já não falava com ela há mais de cinco anos. Eu fui diagnosticada com diabetes em 2012 e ela não tem redes sociais, então nem sabia o que se passava na minha vida.

Depois de colocar muita fofoca em dia, contei à ela como foi que descobri a diabetes, quando foi, como está sendo meu tratamento e o que estou fazendo agora com meu Blog; então ela fez o célebre comentário: "Minha tia avó também tem diabetes".

Na hora já pensei: ih, lá vem aquele velho papo. E ela completou: "Ela tem diabetes desde os 20 anos, hoje tem 85 e mora sozinha, se cuida sozinha e não tem nenhuma complicação."

Foi como quando eu era criança e minha vó chegava com uma Barbie nova para mim – abri um sorriso de orelha a orelha. Fui para casa pensando: onde se escondem esses diabéticos que vivem bem? No hospital é que não estão.

Lancei essa pergunta na minha página do Facebook e para minha alegria, surgiram muitas histórias bacanas; numa dessas histórias, conheci o Ricardo, um diabético tipo 1 há mais de 40 anos, que me enviou um texto que resumiu tudo que acredito ser a fórmula mágica para lidar com a diabetes. Resolvi compartilhar essa reflexão com vocês:

"Nosso controle, na verdade é um doloroso exercício de persistência.. De uma forma global tudo depende de 6 fatores: 1 – Hiperglicemia Diabético não pode ter glicemias acima de 180. Esse é o número mágico! Lógico, é impossível! Então devemos procurar manter no máximo 20% das glicemias acima disso. Com 180 as células se enchem de líquido, surge à acetonúria, há perda de potássio e outros minerais iniciando a desidratação. Ladeira abaixo para o início das patias. 2 – Hipoglicemia Toda hipo é início, mesmo que momentâneo, de um descontrole. Nosso organismo responde mandando hormônios como a adrenalina para equilibrar a glicemia, isso associado à ingestão de carboidratos, resulta em uma elevação normalmente excessiva da glicemia. Chama-se rebound ou gangorra glicêmica. Detalhe importantíssimo; a insulina é um hormônio solitário, todos os demais hormônios de nosso corpo estão contra ela. Qualquer hormônio em nosso corpo que não seja a insulina aumenta a glicemia. Hoje alguns atribuem hipoglicemia somente abaixo de 60mg/dL! Não concordo, pois, o padrão de normalidade é de 90mg/dL... Abaixo de 70mg/dL, as células perdem líquido, lhes falta oxigênio, principalmente no cérebro e na retina. Nosso organismo despeja vários outros hormônios na corrente sanguínea. Ladeira acima para o início das patias. Os danos por hiper são a longo prazo, em uma hipo severa os danos podem ser imediatos! 3 – Boca maldita Compulsão por comida, chocólatras, por exemplo, clássico! Quanto menos se come, mais fácil é o controle! T'á eu sei... Tem um negócio chamado “contagem de carboidrato” Conclusão: Muita comida + muita insulina + variações bruscas = descontrole!!! 4 – Negligência, imperícia e ou imprudência médica. Muitos desenvolveram patias por passarem anos sendo tratados de forma genérica, tendo apenas um controle relativo, orientados pelo médico. Diabetes não se trata de forma genérica com uma única fórmula para todos os casos. Cada paciente têm que ter um tratamento específico. Naturalmente, com a absoluta falência da saúde em nosso País, a medicina foi sistematicamente sendo sucateada e abandonada pelo poder público. Conclusão: Precisamos de um médico que entenda da doença e cuide de nós. Confiar no médico sem questionar o tratamento, tem se mostrado uma prática perigosa! 5 – Nossa própria negligência com a doença. Viver descompensado e achar que nada acontecerá. Fazer de conta que não é diabético. "Na segunda eu começo a me cuidar..." Como nas inúmeras vezes nada acontece, pensa-se que nunca acontecerá nada. Verdadeiro filme de horror: cegueira, perda de membros, diálise, coma e óbito. Conclusão: Nosso organismo agüenta normalmente 10 anos de maus tratos, só dez anos... Às vezes até menos. 6 – A mais sutil de todas. A maioria dos diabéticos que tenta adaptar a diabetes à sua vida, se dá mal. A maioria dos diabéticos que tenta adaptar a sua vida ao diabetes se dá bem. Conclusão: Diabetes é uma doença exclusiva! Não aceita, não tolera e não admite parcerias. Fazer a diabetes se ajustar à sua vida desregrada é um verdadeiro suicídio! Pensem em qual dessas hipóteses você se ajusta e reflita melhor. Quem sabe vale a pena uma mudança, enquanto há tempo. É necessária a perfeita harmonia entre 3 fatores primordiais: Medicação, Dieta e Atividade Física.

Com um a gente cai. Com dois a gente tomba. Somente como os três há equilíbrio..."

Desafie-se

Juro que quase aplaudi de pé!

Se é fácil seguir esses 6 passinhos? Não é, mas não é impossível. É tudo uma questão de escolha, escolha que fazemos todos os dias ao acordar.

Então, chega de tentar adaptar a diabetes à sua vida, faça escolhas que adaptem sua vida à diabetes.

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