Diabetes + Exercícios = ♥


Não é segredo para ninguém o quanto amo exercícios, quem me acompanha nas redes sociais sabe desse vício, até porque já falei sobre como começou minha paixão por esportes e como os exercícios afetam nosso controle glicêmico aqui: https://goo.gl/NfdWlF Mas hoje vou falar sobre alguns pontos importantes para que o diabético possa praticar suas atividades físicas sem prejudicar sua saúde, visto que ontem, entrei numa discussão (leia-se debate saudável) com uma guria que foi treinar com a glicemia em HI* pois não sabia que isso era um “problema”. Todo diabético pode praticar exercícios? É totalmente indicado a prática de exercícios como parte do tratamento do diabético, porém as orientações para atividade física devem ser individualizadas, devem considerar o tipo de DM, idade da pessoa, objetivos do programa de atividade física, e avaliar a presença de descompensação glicêmica, complicações crônicas e outras doenças. Qualquer atividade física pode apresentar riscos, visto que exercícios, em particular os de resistência, podem elevar abruptamente a pressão arterial e desencadear eventos macro ou microvasculares, enquanto que atividades de impacto podem provocar lesões em membros inferiores especialmente nos neuropatas. Portanto, sempre faça avaliações clínicas com um profissional antes de iniciar qualquer atividade. Alguma recomendação especial para DM1? Segundo as normas do American College of Sports Medicine, os diabéticos do tipo 1 devem realizar atividades físicas diárias, monitorando antes e após os exercícios, os níveis de glicemia, podendo ser necessários ajustes na dose de insulina e na ingestão de carboidratos para evitar a hipoglicemia. Se a glicemia antes do exercício estiver abaixo de 100 mg/dL, o diabético deve ingerir um lanche adicional; se for maior que 250 mg/dL, deve adiar o exercício até obter um controle metabólico adequado. Como assim? Exercícios aeróbicos (como corridas) tendem a baixar nossa glicemia, enquanto os anaeróbicos (treinos de força, por exemplo), tendem a aumentar nossa glicemia. Por isso, é tão importante fazer a checagem da glicemia antes da atividade, só assim você terá como escolher o melhor para você. Mas por que não posso fazer atividades com a glicemia maior que 250mg/dL se ela baixa tanto no exercício? • Pouca insulina no corpo durante a atividade resulta em um grande aumento da produção de glicose pelo fígado e as concentrações de glicose circulantes no sangue aumentam significantemente, ou seja, a hiper pode virar uma SUPER hiperglicemia e pode até desenvolver a cetoacidose diabética (falei disso aqui: https://goo.gl/syBWCR). Dessa forma, não é recomendado exercício mesmo que moderado ou intenso a indivíduos com DM1 em situações de hiperglicemia maior que 250mg/dL, pois o organismo não apenas deixará de se beneficiar desta prática, como poderá acentuar a descompensação metabólica. • Durante a atividade física, há o aumento de fluxo sanguíneo, isto é, se você realizar exercícios com hiperglicemia, essa grande quantidade de glicose circulando no seu sangue estará com uma velocidade aumentada; esse açúcar ficará “raspando” nas paredes dos vasos sanguíneos, danificando nervos,tecidos e artérias, podendo trazer complicações no futuro. Só que se eu não ficar com a glicose acima de 200, tenho hipo, faço como? Converse com seu médico para diminuir as dosagens de insulina nos dias de exercícios, ou consulte um nutricionista para que ele te passe um lanche pré treino que permita que você pratique o exercício sem hipo ou hiper, faça adequações nos horários da refeição que vai anteceder o treino, SE CONHEÇA anotando e verificando sua glicemia, suas refeições e seus treinos.

Concorda que não faz sentido você ter que estar com hiperglicemia para evitar a hipoglicemia? O que é pior, hipoglicemia ou hiperglicemia durante o exercício? A resposta é que tanto a hipo quanto a hiperglicemia deveriam ser evitadas sempre que possível. Em competições, a hipoglicemia deve ser evitada porque, obviamente, a fadiga, a perda da concentração mental e diminuição de força não são compatíveis com o êxito do atleta. Assim, pode parecer razoável que uma hiperglicemia represente uma maneira de garantir o sucesso. A curto prazo, isso pode funcionar, mas a hiperglicemia deve ser evitada porque, mesmo que seja leve, porém consistente, ela aumenta significativamente a probabilidade da ocorrência de complicações médicas graves do diabetes. DICAS: • Lembre-se sempre de levar uma fonte de açúcar para sua atividade; • Alerte seu professor/amigo/colega de treino que você tem diabetes; • Meça a glicemia em treinos com duração de mais de 1h; • Controle sua frequência cardíaca para saber a intensidade do exercício; • Consulte um especialista para saber quais os melhores alimentos para ter a ingestão correta de nutrientes para um bom rendimento e para sua saúde; • Prefira exercícios anaeróbicos antes dos aeróbicos (primeiro musculação e depois esteira); • Se a glicemia for maior que 250 mg/dL, adie o início do exercício e meça as cetonas na urina ou sangue; • Injete a insulina (ou ajuste a quantidade liberada pela bomba de insulina) aproximadamente 1 hora antes do exercício. • Diminua a dose de insulina para que o pico de insulina circulante não ocorra durante o exercício. • Não use um braço ou uma perna que será usada no exercício como local da injeção e certifique-se de que a insulina seja injetada no tecido subcutâneo e não no muscular. • Sempre faça a reposição dos fluidos perdidos durante a atividade; • Monitore a glicemia, inclusive durante a noite se o exercício não é habitual e/ou é feito no final da tarde. Evite o consumo de álcool após o exercício porque o álcool diminui a capacidade de monitorar sensações claras ou sutis que poderiam alertar o diabético para o fato de que a glicemia está muito alta ou muito baixa. • Tenha consigo uma identificação médica. • Utilize calçados apropriados e confortáveis para a atividade que realizará. *Glicemia maior que o glicosímetro pode ler Fonte: - DIABETES, EXERCÍCIO E COMPETIÇÕES ESPORTIVAS – Peter A. Farrell, Ph.D. - EFEITO IMEDIATO DO EXERCÍCIO FÍSICO SOBRE O COMPORTAMENTO DA GLICEMIA NO INDIVÍDUO DIABÉTICO DO TIPO 1 – ESTUDO DE CASO – Cristiane B. Hayashi, Ana Augusta Pereira, Fabiana S. M. Ferreira, Juliana Palomares, R.A. Lazo-Osório, Leandro Y. A. Kawaguchi - DIABETES MELLITUS E EXERCÍCIO FÍSICO – Sandro Crepaldi, Paulo Javier Savall e Rafaela Liberali Fiamoncini- ATIVIDADE FÍSICA NO DIABETES TIPO 1 E 2: BASES FISIOPATOLÓGICAS, IMPORTÂNCIA E ORIENTAÇÃO – Sandra Roberta Gouvea Ferreira e Marco A. Vivolo

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© 2017 por Daniela Olmos