Dirigindo com diabetes II

Ontem contei para vocês que estava em processo de renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Declarei na ficha médica que fazia um tratamento de saúde e que tinha diabetes, recebi vários relatos tanto nos comentários quanto por mensagens, contando como tinha sido o processo no exame de quem também declarou ter diabetes: muitos só conseguiram renovar por 1 ano, outros por 3 e alguns por 5 anos. Pensei, já que fui honesta, vou levar argumentos caso queiram complicar: peguei laudo do oftalmologista para atestar que não tenho retinopatia, laudo médico declarando que tenho DM1, um relatório de controle glicêmico, meus últimos exames de sangue e rezei para pegar um profissional bem informado. Cheguei cedo e fui a primeira a ser chamada, sentei na frente da médica que olhou minha ficha e perguntou que tipo de tratamento de saúde eu fazia, expliquei que tenho diabetes tipo 1 e que faço uso de insulina. Então ela questionou: tua glicemia é controladinha? Convicta, respondi que sim. Pronto, foi só isso. Ela fez mais alguns exames, avaliou como estava minha visão e aferiu minha pressão sanguínea. Não questionou meu fundo de olho, não perguntou glicada, não quis saber se eu tinha hipoglicemia. Ao mesmo tempo que fiquei feliz porque ela me achou apta a dirigir por mais 5 anos sem precisar voltar lá, me pergunto, será que se fosse outro diabético ela saberia orientar quanto a conduta na direção? Saberia orientar ele a medir a glicemia antes de pegar o volante, a parar o carro caso sentisse algum sintoma de hipo, a andar com doces dentro do veículo para tratar a hipo ou até evitar ela? Com duas perguntas ela julgou que eu não era uma diabética descontrolada – eu sei, melhor que ela ter complicado comigo. Mas vocês percebem como falta muita informação, tanto por parte do paciente quanto por parte dos profissionais? Talvez ela nem saiba o risco de uma hipo na direção, pois se ela soubesse, poderia me instruir com coisas básicas que levariam 2 minutos para serem explicadas. Lição do dia? Ainda temos muito o que trabalhar para realmente termos educação em diabetes. 

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