Um belo dia, resolvi mudar

Hoje, o papo é sobre minha vida pessoal, uma vez que compartilho com vocês meu dia a dia, falo sobre minhas escolhas alimentares, minha rotina de treinos, um pouquinho da minha vida social, mas quase não falo sobre minha vida profissional. Vamos fazer uma pequena e resumida retrospectiva da minha vida? Acredito que a maioria nem saiba minha formação e trajetória de vida além do diabetes. Saí de casa aos 18 anos (2007), meus pais moram numa pequena cidade na região metropolitana de Porto Alegre (RS) e eu queria estudar na capital, queria ampliar meus horizontes, queria viver numa cidade maior. Comecei no cursinho pré-vestibular pois minha ideia era entrar na faculdade federal, o objetivo não foi alcançado por muito pouco, então, junto aos meus pais, decidimos que eu cursaria Design Visual na ESPM, uma das melhores faculdades do Brasil. Minhas condições financeiras não eram as melhores, mesmo tendo estudado em escola particular a vida inteira, minha família vivia uma fase de contenção de gastos, o que fez eu correr atrás de uma bolsa de cunho social, e fez com que eu valorizasse muito cada momento de aprendizado que eu tinha; depois que entrei na faculdade e durante os 4 anos em que fiquei no curso, me dediquei a ser excelente em tudo que eu fazia. Trabalhei desde meu segundo semestre (estagiei em quatro empresas diferentes) e quase enlouqueci com o projeto de graduação, pois quis abraçar o mundo, não quis largar meu estágio, tinha aula todo dia à noite e precisava fazer um projeto que tivesse minha essência nele, ou seja, perfeito nos mínimos detalhes. Lembro que no último semestre emagreci muito, virava noites para vencer prazos, gastei rios de dinheiro na execução do projeto e apresentei em dezembro para uma banca que não teve o que falar, estava tudo muito bem fundamentado e amarrado. Ganhei uma nota maravilhosa, tive meu trabalho colocado na biblioteca da ESPM e achei que curtiria a vida a partir daquele momento. Foi nessa hora que percebi que tinha algo estranho comigo, que os sintomas que achavam que era estresse não passavam. Ganhei destaque no projeto, mas ganhei uma autoimune junto. Colei grau no dia 28/01/2012 e na noite da formatura, lembro de como comi doces e como ia ao banheiro frequentemente, mas foi só em agosto que tive o diagnóstico de diabetes. Acredito que minha lua de mel passou e nem vi (posts sobre diagnóstico aqui). Quando tive o diagnóstico de diabetes, eu trabalhava na mesma empresa em que tinha estagiado no final da faculdade, e mesmo sofrendo, querendo ir para casa ficar em posição fetal, no dia da notícia fatídica, voltei da consulta médica para o trabalho e em pouco tempo estava comendo um iogurte sem graça, engolindo o choro enquanto participava de uma reunião de equipe. Não disse que foi certo, nem que faria de novo, porém, foi a forma que encarei. Qual o intuito de contar tudo isso? Falar sobre quando o diabetes começou a andar junto a minha vida profissional. Tentei manter minha rotina, adaptei alguns horários e vi que não perdi minha essência. Continuava sendo a Dani criativa, alto-astral, dedicada, proativa e que amava o que fazia. Em 2013, decidi que teria minha própria empresa, com isso, pedi demissão e junto a minha melhor amiga de faculdade, iniciei um escritório de design. De 2013 a 2017, gerenciei, atendi, cobrei e criei. Que experiência! Aprendi muito, me realizei muito, me frustrei muito e em 2015 senti que precisava de mais, que com o diabetes, tinha aflorado em mim, algo que há tempos estava apagado – a vontade de fazer a diferença no mundo. Em abril, timidamente, comecei a escrever sobre diabetes em um blog, em maio criei redes sociais para o blog, e aos poucos, fui notando que tinha ali, uma válvula de escape, um jeito de melhorar meu tratamento, uma causa social que precisava de atenção ­­e me joguei nesse projeto, que me dava muito trabalho, mas MUITO prazer em realizá-lo. Em menos de um ano, tinha conexões de amigos com diabetes por todo Brasil, participava de eventos e me envolvia com a comunidade cada vez mais. Em 2017, a crise no meu Estado afetou minha empresa, contratos fixos não foram renovados e meu trabalho virou apenas serviços sob demanda; comecei a dedicar ainda mais minha energia e tempo ao blog, portas foram se abrindo, eventos acontecendo e me joguei de cabeça nisso, dando fim à minha empresa e trabalhando como freelancer para os clientes que tinha e alguns novo que iam surgindo. O fato é que desde criança, sempre gostei de fazer algo pelos outros; no colégio, costumava participar de trabalhos voluntários, e sinto que depois do meu diagnóstico, saí de uma bolha social que tinha entrado e reavivei essa vontade de melhorar o mundo. Fiquei num limbo na vida profissional, apenas sobrevivendo, fazendo coisas que não acreditava mais, estimulando consumo e futilidades que já não são mais valores meus. Contudo, sou muito crente no tempo; acredito que tudo tem seu tempo e que nada acontece por acaso. E meu hoje, comprova isso, pois em março, surgiu a oportunidade de trabalhar em uma empresa que eu acredito, numa vaga que tem tudo a ver comigo, com minha formação e experiência, em uma atividade em que poderei fazer a diferença na vida de milhares de pessoas. Passei por um longo processo seletivo e fui escolhida para integrar o time dessa empresa em São Paulo. Sim meus queridos, levantei acampamento e em duas semanas, vim de mala e cuia para São Paulo. Notaram que diminuí o ritmo de posts? Que meus treinos foram pausados? Que não estou conseguindo responder vocês com a mesma frequência? Contei tudo isso por dois motivos: para mostrar que um diagnóstico de uma doença crônica pode te levar para caminhos inesperados e MUITO legais e para mostrar que diabetes não me impediu de nada – deixei família e amigos no RS para morar sozinha em SP. Acho legal compartilhar com vocês, pois me lembro perfeitamente como me motivou, saber que outras pessoas com DM1 tinham vidas normais, a educadora que me orientou no dia do meu diagnóstico, por exemplo, falou mais da vida pessoal e profissional dela do que de diabetes, me deixando mais tranquila e menos receosa do que estava por vir. E acho justo que vocês saibam o que se passa na minha vida, visto que vários de vocês acompanham meus passos, até os que não tem a ver com diabetes. Mas será que tem algo que não tenha a ver com diabetes na minha vida? Ela jamais vai dominar minha pessoa a ponto de me impedir de conquistar objetivos, contudo, sinto que permeia minha vida em todos os sentidos desde que a desenvolvi. Se estou feliz? Vocês não imaginam quanto. Se doeu deixar todo mundo no RS? Só eu sei o aperto no peito que senti. Se deixarei de postar no blog? De forma alguma, esperem eu me adaptar ao novo trabalho, ter meu novo cantinho, voltar aos meus treinos e logo terão muitos posts informativo. Se darei mais detalhes do meu novo trabalho e por que fiz essa mudança de vida? Aos poucos, falarei mais sobre isso, sejam pacientes. O que importa é compartilhar com vocês essa conquista e encorajá-los a buscar seus sonhos, por isso, busquem pelo melhor para a saúde de vocês, sem ela, nada disso é possível. 

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